RDA: o Padrão de Catalogação que Está Sucedendo o AACR2

Se você já solicitou uma ficha catalográfica para um livro, provavelmente ouviu falar do AACR2 — o Código de Catalogação Anglo-Americano que, há décadas, orienta bibliotecários e catalogadores na descrição de obras no Brasil e no mundo. O que poucos autores e editoras sabem é que esse código já tem um sucessor em uso em bibliotecas nacionais de vários países: o RDA, sigla para Resource Description and Access. Entender o que é o RDA, por que ele existe e em que estágio está sua adoção ajuda a compreender para onde caminha a catalogação bibliográfica — e por que isso importa para quem publica livros.

O que é o RDA e de onde ele vem

O RDA é um padrão para catalogação descritiva lançado em junho de 2010, concebido como sucessor do AACR2. Ele nasceu de discussões iniciadas na Conferência Internacional sobre os Princípios e o Futuro Desenvolvimento do AACR, realizada em Toronto em 1997, e é mantido conjuntamente por entidades como a American Library Association, a Canadian Federation of Library Associations e o Chartered Institute of Library and Information Professionals (CILIP), no Reino Unido.

Diferentemente do AACR2, que foi construído em torno da descrição de itens físicos como fichas de catálogo, o RDA foi desenhado para o ambiente digital. Ele se apoia em modelos conceituais desenvolvidos pela IFLA (Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias) — o FRBR (Functional Requirements for Bibliographic Records) e o FRAD (Functional Requirements for Authority Data) — e hoje busca compatibilidade com o Library Reference Model (LRM), que consolidou esses modelos em uma estrutura única.

RDA x AACR2: o que muda na prática

De registros fixos para um modelo baseado em entidades

O AACR2 organiza a descrição bibliográfica em torno do item: um livro, um periódico, um mapa. O RDA parte de uma lógica diferente, baseada em entidades e relacionamentos — obra, expressão, manifestação e item — que permite conectar, por exemplo, diferentes edições, traduções e formatos de uma mesma obra de maneira muito mais explícita do que o modelo anterior. Essa estrutura é o que torna o RDA compatível com ambientes de dados conectados (linked data), e não apenas com catálogos tradicionais em formato de ficha.

Elementos e relacionamentos mais ricos

Na prática, isso significa registros com mais elementos descritivos, relacionamentos mais claros entre autores, obras e suas diferentes versões, e uma descrição pensada para ser lida tanto por pessoas quanto por sistemas automatizados de busca e recuperação. Para o usuário final de uma biblioteca ou de um catálogo online, o ganho é a possibilidade de navegar entre edições, traduções e formatos de uma obra com muito mais precisão.

O RDA também é publicado como um pacote de elementos de dados, diretrizes e instruções — o RDA Toolkit — disponível por assinatura online e em formato impresso, o que facilita atualizações contínuas do padrão à medida que a comunidade bibliotecária revisa suas práticas.

Adoção internacional: quem já usa o RDA

A transição do AACR2 para o RDA já é realidade em diversas bibliotecas nacionais. A Library of Congress, nos Estados Unidos, anunciou em março de 2012 que implementaria integralmente a catalogação em RDA até o fim de março de 2013, decisão que veio após um teste nacional conduzido em conjunto com a National Library of Medicine e a National Agricultural Library. A Library and Archives Canada adotou o padrão de forma plena em setembro de 2013. British Library, National Library of Australia e a Deutsche Nationalbibliothek, na Alemanha, também já implementaram o RDA em suas rotinas de catalogação.

O RDA Toolkit já foi traduzido para catalão, chinês, finlandês, francês, alemão, italiano e espanhol, com outras traduções em andamento — sinal de que a internacionalização do padrão é uma prioridade declarada do RDA Steering Committee, hoje RDA Board, desde 2015.

E no Brasil? Panorama e desafios da adoção

No Brasil, a adoção do RDA ainda é incipiente. Estudos publicados em periódicos de biblioteconomia e ciência da informação — como a Revista ACB e o RDBCI, da Unicamp — descrevem experiências pontuais de implementação, entre elas o relato da Biblioteca Central Irmão José Otão, da PUCRS, que documentou sua transição para o padrão. Mas, de forma geral, a literatura aponta que o processo no país enfrenta obstáculos concretos: a falta de material pedagógico e de treinamento em português, o custo de assinatura do RDA Toolkit, a necessidade de adaptar sistemas de bibliotecas construídos em torno do MARC e a curva de aprendizado para catalogadores já habituados ao AACR2.

Isso não significa que o RDA seja irrelevante para o mercado editorial brasileiro — pelo contrário. À medida que bibliotecas acadêmicas e nacionais ao redor do mundo migram para o novo padrão, cresce a pressão por interoperabilidade: um catálogo brasileiro que dialoga apenas com as regras do AACR2 tende a ficar isolado de redes internacionais de dados bibliográficos cada vez mais construídas em torno de modelos como FRBR, LRM e, por extensão, RDA.

O que isso significa para autores, editoras e bibliotecários

Para quem publica um livro hoje, a ficha catalográfica que acompanha a obra ainda segue, majoritariamente, as regras do AACR2 — é o padrão consolidado e amplamente reconhecido pelo mercado editorial brasileiro, incluindo por sistemas de bibliotecas e processos de depósito legal. Mas acompanhar a evolução para o RDA tem valor prático:

  • Editoras que negociam direitos ou distribuem obras internacionalmente lidam, cada vez mais, com catálogos estrangeiros já convertidos para RDA.
  • Bibliotecários e catalogadores que atuam em instituições acadêmicas encontram, com frequência crescente, sistemas e bases de dados que operam com os princípios de entidades e relacionamentos do novo padrão.
  • Autores e pesquisadores que dependem de visibilidade em catálogos e repositórios se beneficiam, indiretamente, de registros bibliográficos mais ricos e conectados — a mesma lógica que já aparece em iniciativas como o BIBFRAME, sucessor do formato MARC, e em identificadores como o ISNI e o ORCID.

Como a eDOC BRASIL acompanha essa transição

A eDOC BRASIL elabora fichas catalográficas seguindo as normas AACR2 vigentes no Brasil e acompanha de perto as discussões sobre catalogação bibliográfica — incluindo movimentos como o RDA, o BIBFRAME e outros modelos de dados conectados que devem, gradualmente, influenciar a forma como livros são descritos e descobertos. Entender essas mudanças ajuda autores e editoras a tomar decisões mais informadas sobre catalogação, metadados e presença de suas obras em catálogos nacionais e internacionais.

Se você está preparando um livro para publicação e quer garantir uma ficha catalográfica correta, atualizada e reconhecida pelo mercado editorial, conheça o serviço de ficha catalográfica da eDOC BRASIL e fale com nossa equipe para tirar suas dúvidas.

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