Preprints são versões completas de manuscritos científicos disponibilizadas publicamente em servidores de acesso aberto antes da revisão formal por pares. Existentes desde 1991 na física com o arXiv, o modelo se expandiu para todas as áreas e ganhou força no Brasil durante a pandemia de COVID-19.
Entre as principais vantagens estão a velocidade de divulgação, o aumento de citações, a obtenção imediata de DOI para registro em plataformas como o Currículo Lattes e o acesso aberto permanente. O SciELO Preprints, lançado em 2020, é um dos principais servidores da América Latina. Preprints não substituem a publicação revisada por pares e seu reconhecimento institucional ainda varia entre programas e agências brasileiras.
Você passa meses — às vezes anos — desenvolvendo uma pesquisa. Coleta dados, analisa resultados, escreve o manuscrito. Então envia para um periódico científico e… espera. Seis meses. Um ano. Às vezes mais. É nesse hiato que o preprint entra como uma das mudanças mais significativas na comunicação científica das últimas décadas — e que ainda é pouco conhecida pela maioria dos pesquisadores brasileiros.
O que é um preprint, afinal?
Um preprint é a versão completa de um manuscrito científico disponibilizada publicamente em um servidor de acesso aberto antes de passar pelo processo formal de revisão por pares de um periódico. Trata-se de um documento legítimo, com conteúdo integral — metodologia, resultados, discussão e referências —, diferente de um resumo ou comunicação de congresso.
A palavra vem do inglês preprint (pré-impressão), e o conceito não é novo: existe na física e na matemática desde 1991, com o servidor arXiv. O que mudou nos últimos anos foi a expansão do modelo para todas as áreas do conhecimento e, especialmente, sua chegada ao Brasil com força total a partir da pandemia de COVID-19, quando a necessidade de compartilhar resultados rapidamente tornou o formato indispensável.
Como o preprint funciona na prática?
O processo é simples. O pesquisador submete seu manuscrito a um servidor de preprints — como o SciELO Preprints, o bioRxiv, o medRxiv, o Zenodo ou o SSRN — que realiza uma triagem básica de formato e ética. Em poucos dias, o trabalho está disponível online para qualquer pessoa do mundo, com um DOI (Digital Object Identifier) atribuído, o que garante rastreabilidade e permite citações imediatas.
O manuscrito continua seu caminho normal: pode ser submetido a um periódico em paralelo, sofrer revisão por pares e, eventualmente, ser publicado na versão final. Muitas revistas científicas de alto impacto — incluindo publicações indexadas no SciELO e em periódicos internacionais — já aceitam explicitamente artigos previamente depositados em servidores de preprints reconhecidos.
Por que publicar um preprint? As principais vantagens
1. Velocidade: saia na frente da sua pesquisa
O preprint elimina a espera. Enquanto o processo editorial tradicional pode levar de 6 a 18 meses (ou mais), um preprint fica disponível em dias. Isso é especialmente crítico em campos competitivos: se outro grupo de pesquisa está trabalhando no mesmo problema, o preprint estabelece sua prioridade com carimbo de data.
2. Mais citações e maior visibilidade
Dados consistentes de diferentes áreas mostram que trabalhos depositados como preprint recebem, em média, 5 vezes mais citações do que artigos que aguardam a publicação formal para circular. A lógica é simples: quanto mais tempo o manuscrito fica disponível, mais pesquisadores têm a oportunidade de lê-lo, citá-lo e construir sobre ele.
3. DOI imediato para o Currículo Lattes e financiadores
Com o DOI do preprint em mãos, o pesquisador pode registrar a produção no Currículo Lattes, em relatórios de bolsas do CNPq e da CAPES, e em avaliações de desempenho — mesmo antes da publicação oficial. Isso é particularmente relevante para pesquisadores em processo de progressão de carreira ou renovação de financiamento.
4. Feedback antes da publicação
Disponibilizar o manuscrito para a comunidade científica gera comentários e sugestões que muitas vezes aprimoram o trabalho antes de sua submissão formal. É uma espécie de revisão por pares aberta e voluntária que complementa — não substitui — o processo editorial tradicional.
5. Acesso aberto garantido
Independentemente de o periódico final ser de acesso pago ou aberto, o preprint permanece disponível gratuitamente para sempre. Isso aumenta o impacto social da pesquisa e democratiza o acesso ao conhecimento, princípio cada vez mais valorizado por agências de fomento no Brasil e no mundo.
Preprint no Brasil: o SciELO Preprints e o crescimento do modelo
O Brasil tem hoje um dos servidores de preprints mais relevantes da América Latina: o SciELO Preprints, lançado em 2020 como parte da infraestrutura do Scientific Electronic Library Online. O servidor já reúne milhares de manuscritos nas mais diversas áreas, incluindo humanidades — o que demonstra que o modelo vai muito além das ciências da saúde e exatas.
A consolidação do preprint no país também se reflete nas políticas editoriais. Periódicos importantes que integram a coleção SciELO e bases como Scopus e Web of Science passaram a incluir, em suas diretrizes, a declaração explícita de que aceitam manuscritos com preprint anterior. A tendência, acompanhando o movimento global de ciência aberta, é de expansão — não de retração.
O que o preprint não substitui
É importante ser claro: o preprint não é um substituto da publicação em periódico revisado por pares. Ele não passou pelo escrutínio editorial formal e isso deve ser indicado sempre que o trabalho for referenciado nessa fase. O leitor que acessa um preprint precisa ter ciência de que se trata de uma versão preliminar.
Além disso, algumas agências de fomento e programas de pós-graduação brasileiros ainda não reconhecem preprints como equivalentes a artigos publicados para fins de avaliação. O cenário está mudando rapidamente, mas vale verificar as normas específicas do seu programa ou instituição antes de contar com o preprint em avaliações formais.
Conclusão: antecipe o impacto da sua pesquisa
O preprint representa uma mudança de mentalidade sobre o que significa “publicar” na ciência contemporânea. Não é necessário escolher entre velocidade e rigor — é possível ter os dois. Depositar seu manuscrito em um servidor de preprints é hoje uma estratégia legítima e cada vez mais valorizada para ampliar o alcance da sua pesquisa, garantir prioridade de descoberta e acelerar o diálogo com a comunidade científica global.
Se você tem um manuscrito pronto — ou quase pronto — e quer colocá-lo em circulação com DOI, rastreabilidade e presença imediata nas bases de dados, a eDOC BRASIL pode ajudar. Conheça nosso serviço de registro de preprint e dê o próximo passo na divulgação da sua pesquisa com segurança e agilidade.
Referências
- SciELO em Perspectiva. SciELO Preprints a caminho. Disponível em: https://blog.scielo.org/blog/2017/02/22/scielo-preprints-a-caminho/
- Even3 Blog. Preprint: o que é, como funciona e por que publicar. Disponível em: https://blog.even3.com.br/preprint-o-que-e/
- UFRGS – Biblioteca do IPH. Preprints: um meio para aumentar a visibilidade do seu trabalho. Disponível em: https://www.ufrgs.br/bibiph/preprints-um-meio-para-aumentar-a-visibilidade-do-seu-trabalho/
- Scielo Brasil. Brazil – Open Science and the emergence of preprints. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rgenf/a/CHhjD3NDsHvswhNSmYj7pBM/
- Enago Academy Brasil. Guia rápido para publicar um preprint eficiente. Disponível em: https://www.enago.com.br/academy/what-preprint-paper-steps-publish-it/
