Congresso Mundial de Biblioteconomia: Por Que Brasília Sediar a IFLA WLIC Importa para o Brasil

A Federação Internacional de Associações de Bibliotecários e Instituições (IFLA) anunciou que Brasília sediará o Congresso Mundial de Biblioteconomia e Informação (WLIC) em agosto de 2028, encerrando um hiato de 17 anos sem que o evento passasse pela América Latina e o Caribe. A candidatura foi conduzida pelo IBICT com apoio de instituições nacionais e internacionais.

O evento projeta maior visibilidade internacional para padrões brasileiros de catalogação, metadados e interoperabilidade de acervos, áreas diretamente ligadas ao mercado editorial e à produção científica nacional. Profissionais e instituições são incentivados a adequar práticas como elaboração de fichas catalográficas, registro de ISBN e atribuição de DOI aos padrões internacionais em antecipação ao congresso.

A Federação Internacional de Associações de Bibliotecários e Instituições (IFLA) anunciou, em julho, que Brasília será a sede do Congresso Mundial de Biblioteconomia e Informação (World Library and Information Congress, ou WLIC), marcado para acontecer entre os dias 21 e 24 de agosto de 2028. A escolha da capital federal encerra um hiato de 17 anos sem que o evento — considerado o maior encontro global da área de biblioteconomia e ciência da informação — passasse pela América Latina e o Caribe, e representa um reconhecimento inédito ao protagonismo brasileiro no setor.

Para profissionais que trabalham com catalogação, editoração, registro de ISBN e organização da informação, a notícia vai muito além do simbolismo. Ela sinaliza uma década de maior visibilidade internacional para os padrões, os desafios e as soluções desenvolvidos no Brasil — e um horizonte concreto de preparação para quem atua na cadeia do livro e da produção científica nacional.

O Que É o Congresso Mundial de Biblioteconomia da IFLA

Fundada em 1927, a IFLA é a principal organização internacional que representa os interesses de bibliotecas, arquivos e serviços de informação ao redor do mundo. Seu congresso anual, o WLIC, reúne milhares de bibliotecários, pesquisadores, catalogadores, gestores de acervos e representantes de governos e universidades para discutir temas como acesso à informação, direitos autorais, preservação digital, catalogação e políticas públicas para bibliotecas.

O congresso de 2028 terá um significado histórico adicional: será o primeiro WLIC realizado no Brasil e também o primeiro do segundo século de existência da IFLA, fundada há quase cem anos. Em nota oficial, a presidente da entidade, Leslie Weir, e a secretária-geral, Sharon Memis, destacaram a arquitetura modernista de Brasília — Patrimônio Mundial da UNESCO — como cenário simbólico para um evento que discute o futuro da profissão.

Brasília Foi Escolhida Após Anos de Articulação Latino-Americana

A Candidatura Liderada pelo IBICT

A candidatura de Brasília foi conduzida pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), com apoio de instituições nacionais, regionais e internacionais — entre elas a UNESCO. O diretor do IBICT, Tiago Emmanuel Nunes Braga, que presidirá o Comitê Nacional organizador, afirmou que a instituição já convocará o comitê para estruturar a recepção da comunidade internacional na capital.

A escolha também reforça uma trajetória recente do Brasil em eventos do setor: em 2026, o país já havia sediado a 31ª edição do Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação (CBBD), consolidando um ciclo de debates nacionais que agora ganha escala internacional. Não é incomum que sedes de congressos globais sejam definidas com anos de antecedência — prática que permite à cidade escolhida estruturar infraestrutura, comitês técnicos e programação com calma, e que já projeta Brasília como polo de discussões internacionais sobre biblioteconomia até 2028.

Um Marco Para a Biblioteconomia Brasileira e Latino-Americana

Sediar o WLIC coloca o Brasil no centro de discussões que moldam padrões internacionais de catalogação, metadados e interoperabilidade entre acervos — áreas diretamente ligadas ao trabalho de bibliotecas, editoras e serviços de catalogação no país. Historicamente, esses debates têm sido dominados por instituições da Europa e da América do Norte; a presença latino-americana na condução da pauta tende a trazer para o centro do palco desafios regionais como o acesso equitativo à informação, a preservação de acervos em países de recursos limitados e a valorização da produção científica em português e espanhol.

Para universidades, editoras acadêmicas e profissionais da informação, o anúncio também abre uma janela de oportunidade: participar da organização, propor sessões técnicas, apresentar pesquisas e, principalmente, acompanhar de perto as tendências que vão orientar normas de catalogação e políticas de acesso aberto nos próximos anos.

O Que o Evento Significa Para Catalogadores e o Mercado Editorial

Ainda que o congresso esteja a dois anos de distância, seus efeitos já começam a se fazer sentir para quem atua na cadeia editorial brasileira. Um evento dessa magnitude tende a intensificar o debate sobre a adoção de padrões internacionais de catalogação — como os modelos de dados ligados (linked data) que vêm gradualmente substituindo formatos tradicionais em bibliotecas ao redor do mundo — e sobre a interoperabilidade entre catálogos brasileiros e bases internacionais.

Isso reforça a importância de práticas já consolidadas na rotina de editoras e autores brasileiros, como a elaboração de fichas catalográficas tecnicamente corretas, o registro adequado de ISBN e a atribuição de identificadores persistentes como o DOI a obras e periódicos científicos. Metadados bem estruturados são, cada vez mais, o que garante que uma obra brasileira seja encontrada, citada e reconhecida internacionalmente — exatamente o tipo de infraestrutura que discussões como as do WLIC tendem a colocar em evidência.

Bibliotecas universitárias, editoras de pequeno e médio porte e autores independentes também podem se beneficiar do aumento de visibilidade: eventos internacionais desse porte costumam gerar produção de conteúdo, cobertura de imprensa especializada e formação continuada para profissionais da área, ampliando o acesso a boas práticas que antes exigiam deslocamento para o exterior.

Como Acompanhar os Próximos Passos

Nos próximos meses, o Comitê Nacional liderado pelo IBICT deve divulgar informações sobre inscrições, chamadas de trabalho e programação preliminar. Para profissionais e instituições que desejam se posicionar desde já, algumas ações são recomendáveis:

Acompanhar os canais oficiais da IFLA e do IBICT para acompanhar prazos de submissão de propostas e editais de patrocínio; participar de eventos preparatórios nacionais, como as próximas edições do CBBD e encontros regionais da IFLA para a América Latina e o Caribe; e revisar processos internos de catalogação e metadados, adequando-os a padrões internacionais antes que o holofote global se volte para o Brasil.

Conclusão

A escolha de Brasília para sediar o Congresso Mundial de Biblioteconomia e Informação da IFLA em 2028 é mais do que uma conquista simbólica: é um convite para que bibliotecas, editoras e profissionais da informação brasileiros elevem o padrão técnico de seus acervos e publicações antes que os olhos do mundo se voltem para o país. Ficha catalográfica bem elaborada, registro correto de ISBN e atribuição de DOI deixam de ser apenas exigências burocráticas para se tornarem parte da preparação de longo prazo de quem quer que sua obra dialogue com os padrões que vão pautar esse debate internacional.

A eDOC BRASIL acompanha esse movimento de perto e oferece suporte técnico completo para autores, editoras e instituições que precisam de ficha catalográfica, registro de ISBN e DOI dentro dos padrões utilizados internacionalmente. Fale com nossa equipe e prepare sua publicação para os próximos anos de maior visibilidade da biblioteconomia brasileira no cenário mundial.

Deixe seu comentário!