O ISSN é um código de oito dígitos que identifica publicações seriadas, como revistas científicas, boletins e anais de eventos. No Brasil, ele é emitido gratuitamente pelo CBISSN, unidade do IBICT, e difere do ISBN, que se aplica a obras monográficas fechadas.
Para obtê-lo, o solicitante deve ter publicado pelo menos dois números com o mesmo título e enviar documentação em PDF contendo capa, folha de rosto, expediente e editorial, com o título grafado de forma idêntica em todas as peças. O ISSN, embora não garanta indexação, é pré-requisito para etapas como obtenção de DOI e submissão a bases de dados.
Toda revista científica, boletim, anuário ou anais de evento que se pretende contínuo precisa, em algum momento, de um número que o identifique de forma única perante bibliotecas, bases de indexação e sistemas de citação. Esse número é o ISSN — e, apesar de ser um serviço gratuito e relativamente simples, é também uma das etapas mais mal compreendidas por editores de periódicos independentes, programas de pós-graduação e associações científicas que lançam sua primeira publicação seriada.
O que é o ISSN e para que ele serve
ISSN é a sigla de International Standard Serial Number, um código numérico de oito dígitos que identifica publicações seriadas: revistas, jornais, boletins, anuários, anais de eventos e periódicos eletrônicos, entre outros formatos que se propõem a ser publicados de forma contínua, com numeração e periodicidade definidas. No Brasil, o código é atribuído pelo Centro Brasileiro do ISSN (CBISSN), unidade do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), que integra a rede internacional de centros nacionais do sistema ISSN.
Diferente do DOI, que identifica um artigo ou documento específico, o ISSN identifica o título da publicação como um todo — e permanece o mesmo enquanto o periódico existir, independentemente de quantos números, volumes ou edições sejam lançados ao longo dos anos.
ISSN não é ISBN: uma confusão comum
É frequente que editores iniciantes confundam os dois códigos. O ISBN identifica livros e outras publicações monográficas — obras fechadas, com início, meio e fim editorial. O ISSN, por sua vez, identifica publicações seriadas, que se pretendem contínuas e sem data prevista de encerramento. Um livro publicado uma única vez precisa de ISBN; uma revista que sai a cada trimestre, indefinidamente, precisa de ISSN. Quando uma coleção de livros tem volumes numerados publicados regularmente, ela pode inclusive precisar dos dois códigos simultaneamente: o ISBN para cada volume individual e o ISSN para a série como um todo.
Quem pode solicitar e quando
Podem solicitar o ISSN editores de periódicos científicos, associações e sociedades científicas, programas de pós-graduação, organizadores de eventos acadêmicos que publicam anais, editoras que lançam boletins ou anuários e qualquer outra instituição responsável por uma publicação seriada.
Um ponto que costuma gerar dúvida é o momento certo do pedido. Para recursos contínuos de divulgação e anais de eventos, o Centro Brasileiro do ISSN só analisa a solicitação depois que o segundo número já foi publicado, sempre mantendo o mesmo título. Isso significa que, na prática, o primeiro e o segundo número do periódico circulam sem ISSN, e o código só passa a constar a partir da comprovação de que a periodicidade é real — não apenas uma intenção declarada pelo editor.
Os documentos exigidos pelo CBISSN
A solicitação exige o envio de um único arquivo em PDF, com tamanho máximo de 2 MB, contendo capturas de tela ou reproduções das seguintes partes da publicação:
- Capa do periódico;
- Folha de rosto;
- Expediente (ficha técnica com corpo editorial, periodicidade e dados da instituição responsável);
- Editorial ou apresentação do número.
Um critério que derruba boa parte dos pedidos na primeira tentativa é a exigência de que o título apareça escrito de forma absolutamente idêntica em todos esses elementos — capa, folha de rosto, expediente e editorial. Pequenas variações, como abreviações, mudança de maiúsculas ou inclusão de subtítulo em um lugar e não em outro, são motivo comum de pendência. Também é exigido que a publicação traga, na capa, uma designação numérica e/ou cronológica (número, volume e ano), independentemente de haver ou não menção explícita à periodicidade.
Passo a passo do pedido
- Publique os dois primeiros números do periódico com o mesmo título, mantendo a numeração e a periodicidade consistentes.
- Reúna a documentação — capa, folha de rosto, expediente e editorial — e confira se o título está escrito de forma idêntica em todas as peças.
- Preencha o formulário disponível no site do Centro Brasileiro do ISSN (cbissn.ibict.br), informando os dados da publicação e da instituição responsável.
- Envie a documentação. O CBISSN não aceita o envio por e-mail; o material deve ser encaminhado pelos Correios ao endereço do Centro, em Brasília, ou protocolado pessoalmente no Protocolo Geral do IBICT.
- Aguarde a análise, que costuma levar cerca de dez dias úteis, podendo variar conforme a demanda do órgão.
- Receba o código e passe a exibi-lo em todas as edições subsequentes, sempre no mesmo formato.
O serviço é gratuito — não há qualquer taxa cobrada do solicitante em nenhuma etapa do processo.
Erros comuns que atrasam a análise
Entre os problemas mais recorrentes nos pedidos de ISSN estão a inconsistência do título entre as peças exigidas, a ausência de numeração ou ano visível na capa, o envio de documentação incompleta (faltando o editorial ou o expediente) e a tentativa de solicitação logo após o primeiro número, antes de comprovar a periodicidade exigida. Revisar cuidadosamente cada um desses pontos antes de submeter o pedido evita idas e vindas que podem estender o processo por semanas.
Depois do ISSN: o que muda para o periódico
O ISSN sozinho não garante indexação em bases de dados nem qualifica automaticamente o periódico perante a comunidade acadêmica — ele é, antes de tudo, um identificador. Mas é também um pré-requisito informal para praticamente todos os passos seguintes na profissionalização de uma revista científica: submissão a diretórios e bases de indexação, obtenção de DOI para os artigos publicados e emissão da ficha catalográfica de números especiais ou coletâneas derivadas do periódico.
Esse encadeamento ganhou ainda mais relevância depois do fim da classificação Qualis Periódicos pela CAPES, aprovado em 2024: sem aquele selo centralizado, elementos como ISSN, DOI e indexação em diretórios reconhecidos passaram a funcionar, na prática, como os principais sinais de credibilidade que um periódico pode apresentar a autores, avaliadores e agências de fomento.
Conclusão
O ISSN é um registro simples e gratuito, mas cercado de exigências específicas que pegam de surpresa quem está lançando seu primeiro periódico científico. Cuidar da consistência do título, respeitar o momento certo do pedido e reunir corretamente a documentação são os fatores que mais aceleram — ou atrasam — a emissão do código.
Depois de obter o ISSN, a jornada de profissionalização do periódico continua: DOI para os artigos, ficha catalográfica para edições especiais e indexação em bases relevantes são os próximos passos naturais. Se sua revista, anais de evento ou boletim institucional está nessa fase, a eDOC BRASIL pode apoiar o processo de catalogação e registro de DOI da sua publicação. Fale com a nossa equipe e mantenha a documentação do seu periódico sempre em dia.
