O 31º Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação (CBBD) ocorre em Curitiba entre 13 e 17 de julho de 2026, organizado pela FEBAB sob o tema “As bibliotecas nos limiares do Antropoceno”. O evento reúne centenas de trabalhos sobre inclusão informacional, acessibilidade digital e o papel estratégico das bibliotecas diante de transformações climáticas, sociais e tecnológicas.
Os eixos temáticos abordam desde letramento informacional para pessoas com deficiência até políticas de repositórios institucionais e metadados, reforçando que catalogação, ISBN e DOI são instrumentos de acesso ao conhecimento, não apenas exigências formais. Os Anais do congresso são publicados em acesso aberto com ISSN 2318-5546 no portal da FEBAB.
Entre os dias 13 e 17 de julho de 2026, Curitiba (PR) se torna a capital brasileira da Biblioteconomia. É lá que acontece o 31º Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação (CBBD), o maior evento do setor no país, organizado pela Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições (FEBAB). O tema escolhido para esta edição — “As bibliotecas nos limiares do Antropoceno” — não é apenas uma provocação acadêmica: ele resume um momento em que bibliotecas, catalogação e organização da informação são chamadas a responder a desafios muito além da simples guarda de acervos.
Para autores, editoras, pesquisadores e profissionais que lidam no dia a dia com ficha catalográfica, ISBN e DOI, entender o que está em pauta no CBBD 2026 ajuda a enxergar para onde caminham as práticas de catalogação e organização do conhecimento no Brasil.
O Que é o CBBD e Por Que Ele Importa
O CBBD é realizado pela FEBAB desde a década de 1950 e se consolidou como o principal espaço de encontro entre bibliotecários, cientistas da informação, arquivistas, museólogos, pesquisadores e estudantes do país. A cada edição, o congresso reúne comunicações, relatos de experiência e pesquisas que, depois, compõem os Anais do evento — publicados com ISSN próprio (2318-5546) e disponibilizados em acesso aberto no portal da FEBAB.
Mais do que um evento acadêmico, o CBBD funciona como termômetro das prioridades da área no Brasil. As comunicações submetidas e aprovadas — que somam centenas de trabalhos na edição de 2026 — indicam quais problemas os profissionais de bibliotecas e unidades de informação estão efetivamente enfrentando em bibliotecas universitárias, públicas, escolares e especializadas espalhadas pelo país.
O Tema de 2026: Bibliotecas nos Limiares do Antropoceno
O conceito de Antropoceno descreve a era geológica marcada pelo impacto irreversível da ação humana sobre o planeta. Ao adotar esse tema, a organização do 31º CBBD propõe pensar as bibliotecas como agentes estratégicos de informação, ciência, cultura e sociedade diante de transformações profundas — climáticas, sociais e tecnológicas — que afetam também a forma como o conhecimento é produzido, organizado e disponibilizado.
Na prática, isso se traduz em discussões sobre o papel das bibliotecas como instituições resilientes e inclusivas, comprometidas com o futuro das próximas gerações. O congresso propõe um espaço de diálogo e construção coletiva de caminhos para que bibliotecas continuem relevantes — e acessíveis — em um cenário de mudanças aceleradas.
Os Eixos Temáticos e o Que Eles Revelam
Um dos eixos centrais da programação, batizado “Não deixar ninguém para trás”, reúne dezenas de trabalhos sobre inclusão e acessibilidade informacional. Entre os temas submetidos e já publicados nos Anais estão letramento informacional de estudantes com deficiência no ensino superior, acessibilidade em repositórios institucionais, atendimento em Libras nas bibliotecas universitárias, biblioterapia como prática de acolhimento, e o papel das bibliotecas no combate à vulnerabilidade informacional de comunidades indígenas, quilombolas e migrantes.
Além desse eixo, as diretrizes de submissão do congresso contemplam áreas como associativismo profissional, políticas públicas de leitura e bibliotecas, formação e currículos em Biblioteconomia no ensino superior, ética profissional e o futuro do trabalho na área — um retrato abrangente dos desafios que atravessam Biblioteconomia, Arquivologia, Museologia e Ciência da Informação no Brasil.
Chama atenção, no conjunto dos trabalhos, a recorrência de discussões sobre repositórios institucionais e suas políticas de acessibilidade digital — um tema que dialoga diretamente com a produção de metadados, DOI e identificação persistente de documentos acadêmicos, área em que catalogadores e bibliotecários atuam lado a lado com autores e editoras.
Por Que Isso Importa Para Quem Publica e Cataloga
Bibliotecários são, historicamente, os profissionais responsáveis por elaborar fichas catalográficas, aplicar normas como AACR2 e RDA, e garantir que um livro ou publicação acadêmica seja encontrável, citável e reconhecido institucionalmente. As discussões do CBBD 2026 sobre acessibilidade em repositórios e inclusão informacional reforçam um princípio que também sustenta o trabalho de catalogação: metadados bem estruturados não são burocracia, são a ponte entre uma obra e quem precisa encontrá-la — seja um leitor com deficiência visual usando um leitor de tela, seja um pesquisador buscando uma referência em uma base de dados.
Para autores independentes, editoras de pequeno e médio porte e pesquisadores que publicam livros, capítulos, TCCs ou anais de eventos, esse é um lembrete oportuno: a qualidade da ficha catalográfica, a correção do registro de ISBN e a atribuição de um DOI não são apenas exigências formais, mas parte da infraestrutura que torna uma obra visível, acessível e citável dentro e fora dos muros da universidade — exatamente o tipo de trabalho que bibliotecários e profissionais da informação vêm discutindo no CBBD há décadas.
Como Acompanhar o Congresso
O 31º CBBD acontece presencialmente em Curitiba entre 13 e 17 de julho de 2026, com programação de mesas, workshops e atividades culturais disponível no site oficial do evento. Quem não puder participar presencialmente pode acompanhar os Anais do congresso, publicados em acesso aberto no portal da FEBAB, além dos canais oficiais no Instagram e na lista de transmissão via WhatsApp da federação.
Os Anais já publicados — identificados pelo ISSN 2318-5546 — reúnem a produção completa submetida ao congresso e funcionam como um retrato atualizado da pesquisa em Biblioteconomia e Ciência da Informação no Brasil em 2026, um material de referência tanto para profissionais da área quanto para autores e editoras interessados em entender como a organização da informação está evoluindo no país.
Conclusão
O 31º CBBD reforça algo que profissionais de catalogação, editoração e publicação acadêmica já sabem na prática: organizar informação é, cada vez mais, um ato de inclusão e de responsabilidade social, não apenas uma tarefa técnica. O tema “Bibliotecas nos limiares do Antropoceno” convida o setor a repensar como ficha catalográfica, metadados e identificadores como ISBN e DOI podem — e devem — tornar o conhecimento mais acessível a todos, especialmente em um momento de tantas transformações.
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